Fedra em: O Fantástico Mundo de Hipólito

A nova montagem da Setra Companhia, “Fedra em: O Fantástico Mundo de Hipólito”, estreia dia 15 de março no TEUNI. A montagem também integra a Mostra 2019 do Festival de Teatro de Curitiba, nos dias 27 e 28 de março, com entrada franca, em sessões duplas, na Casa Hoffmann.

Crédito – Amanda Vicentini.

Com direção de Eduardo Ramos e Michelle Moura e dramaturgia de Gustavo Marcasse, o trabalho se monta a partir do texto “Amor de Phaedra” da dramaturga britânica Sarah Kane; e tem, em seu elenco, artistas da dança, performance e teatro a fim de provocar uma fricção de linguagens a partir do mito grego originado por Eurípedes.

A hibridez das linguagens também é uma forma de resposta à metamorfose de todos os dramaturgos que abordaram o mito de Fedra. No texto de Sarah Kane podemos encontrar a espacialidade que Racine propõe no classicismo francês, a violência explícita do movimento teatral londrino da década de 90, gerando mais densidade trágica que os próprios mitos gregos. Sarah expõe em suas obras as vísceras humanas, o comportamento torto e falho da humanidade que, normalmente, é evitado em cena. Em 2019 pode-se perceber que a banalização da tragédia é ainda mais escancarada. O sensacionalismo da violência é algo pertencente e absolutamente normal no nosso dia a dia.
O espetáculo apresenta a família burguesa real do mito grego de Eurípedes. A Setra Companhia, na construção da cena, sentiu a necessidade de anteceder, trazendo personagens como Ariadne e ampliando a participação do herói Teseu, quase inexistente em todos os textos abordados, para expandir e desdobrar a falência da figura masculina heróica, introjetada na cultura da sociedade ocidental.

Crédito – Amanda Vicentini.

A degeneração social está presente na família. A rejeição do amor de Fedra por Hipólito é apenas mais um elemento da indiferença e desumanização que vemos todos os dias no nosso cotidiano.
Para encontrar tal grau de intensidade, a Setra Companhia reuniu para o elenco os artistas Maikon K., para a figura de Hipólito e a bailarina Cintia Napoli, para evocar tantas e tantas Fedras já soterradas. Os bailarinos Airton Rodrigues e Malki Pinsag trazem o mito anterior, como Teseu e Ariadne. E Rubia Romani se encarrega da personagem Strofe, filha fictícia de Fedra, inventada por Sarah Kane.

A Setra Companhia, fundada por Eduardo Ramos em 2013, é sediada em Curitiba e tem como premissa a reunião de artistas de distintas áreas, buscando outros tipos de diálogos. Tem como norte a proposição de novas pesquisas estéticas e dramatúrgicas e busca conceber obras que habitem um campo que transita entre o reconhecimento e a estranheza, de modo a promover experiências novas e de extrema singularidade para quem assiste aos espetáculos da Cia. Sediada no Ap da 13, espaço cultural que recebe e promove integração de diversos artistas pelo país, a Setra traz em seus espetáculos profissionais de diversas linguagens artísticas para trocas, discussões e concepções de projetos.

Serviço
TEUNI – Teatro Experimental da Universidade federal do Paraná
(Rua XV de Novembro, 1299 – Centro, Curitiba – PR)
Telefone: (41) 3360-5066/ 99863596

Temporada:
15 de marco a 24 de março e 09 a 14 de abril
terça a sábado às 20h e domingo às 19h

Ingressos: R$20 (inteira) e R$10 (meia)

MOSTRA 2019 DO FESTIVAL DE TEATRO DE CURITIBA
27 e 28 de março às 18h e 21h
Casa Hoffmann
(R. Dr. Claudino dos Santos, 58 – São Francisco, Curitiba)
Telefone: 41 3321-3228

Ingressosgratuitos, retirada 1h no local de apresentação