A “Ópera do Malandro” sobe ao palco sob a regência do maestro Anderson Nascimento

Um grupo de 29 cantores amadores ensaia, sob a regência do maestro, pianista e arranjador Anderson Nascimento, aquele que é considerado o mais emblemático dos musicais brasileiros: a “Ópera do Malandro”, de Chico Buarque. O espetáculo sobe ao palco do Teatro Bom Jesus, em Curitiba, no dia 31 de agosto, trazendo a história que estreou em 1978, inspirada nos clássicos Ópera dos Mendigos de John Gay, e A Ópera dos Três Vinténs, de Bertolt Brecht e Kurt Weill.

Crédito – Divulgação.

A trupe se reúne em uma sala cedida pela Paróquia do Bom Pastor, no bairro Vista Alegre das Mercês. Boa parte tem mais de 50 anos e reúne alguma experiência em grupos corais e vocais, mas não se trata de um projeto marcado pela faixa etária. Professores, engenheiros, psicólogos, arquitetos, advogados e outros profissionais de diferentes áreas, alguns já aposentados, somam vozes a jovens talentos, numa troca sem preconceitos.

O traço em comum é a paixão por cantar, e incluir o canto no projeto de vida. Muitas histórias de superação pessoal se escondem por trás da alegria que marca os ensaios. São narrativas que vão da timidez crônica ao reencontro com o prazer de viver, após períodos de tristeza e depressão. A cada semana, o grupo mata um leão para aprender os arranjos sofisticados escritos pelo maestro Anderson Nascimento.

Pianista, arranjador e produtor musical, Nascimento é quem catalisa a energia dos cantores. Incansável ao ensinar, também é implacável ao cobrar afinação, ritmo e dedicação. Não é para menos. Ele não apresenta partituras originais. Tudo é reescrito, num capricho típico de montagens profissionais. Já não bastasse o desafio de cantar a quatro vozes, o elenco ainda tem que dançar e representar. No intervalo, discute cenário, figurino, vende ingressos e busca patrocínio.