Movimento UMA debate sobre efeitos da pandemia na prevenção do câncer de mama

Uma pesquisa realizada pelo IBOPE, encomendado pela empresa farmacêutica Pfizer, aponta que 62% das mulheres deixaram de ir ao ginecologista ou ao mastologista por conta da pandemia do novo Coronavírus. Essa porcentagem aumenta para 73% entre aquelas com idade igual ou maior que 60 anos. Grande parte das 1400 entrevistadas, mulheres a partir dos 20 anos de idade, das classes A, B e C, disseram que estão esperando o fim da pandemia para colocar em dia exames como a mamografia, que permite detectar precocemente o câncer de mama.

Crédito – Divulgação.

Na opinião de Macarcy de Fatima Bernardini Engelbert, presidente voluntária da Amigas da Mama, a medida de isolamento social, imposta pela Covid-19, é um fator que está reduzindo a realização de exames em 2020. “A previsão do Ministério da Saúde de realizar 300 mil mamografias em 2020 não será concretizada. Até agora, o número de mamografias não chegou a 150 mil no Paraná”, diz.

Dados nacionais, disponibilizados pelo Ministério da Saúde, apontam para a realização, de janeiro a julho deste ano, de um 1,1 milhão de exames contra 2,1 milhões no mesmo período de 2019.

No entanto, o controle do câncer de mama por meio da detecção precoce é fundamental. “Quanto mais cedo um tumor invasivo é detectado, maior a probabilidade de cura”, comenta Catarina Harue, diretora da Policlínica Capão Raso, integrante do MEX Brasil e líder do Comitê de Saúde do Grupo Mulheres do Brasil.

Ela ressalta ainda que, por essa razão, a conscientização sobre a importância do Outubro Rosa, mês da conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama, e de ações correlatas como o Movimento UMA. “O câncer de mama é hoje um relevante problema de saúde pública. É a neoplasia maligna mais incidente em mulheres na maior parte do mundo. Estatísticas mundiais do Globocan 2018, estimam que haverá 2,1 milhões de casos novos de câncer e 627 mil óbitos pela doença. Já dados do Instituto Nacional revelam que, para 2020, 66.280 novos casos de câncer de mama estão previstos”, afirma.

Na opinião dela, o Movimento UMA, que traz a saúde e o bem-estar da mulher como um dos seus eixos temáticos, vem ao encontro com a Política Nacional de Controle do Câncer em 2005, atualizada em 2013, ao lado da estruturação do Plano de Enfrentamento das DCNT, cujo controle do câncer de mama é prioridade. Entre as estratégias de confronto a essa doença estão: ampliar o acesso à mamografia para mulheres de 50 a 69 anos; diagnóstico precoce; qualidade da mamografia; garantir o acesso das mulheres com lesões suspeitas ao imediato esclarecimento diagnóstico; tratamento oportuno e de qualidade, expandir e qualificar a rede de tratamento do câncer; comunicação e mobilização social (desenvolver estratégias para difundir informações e mobilização social relativas à prevenção e detecção precoce do câncer de mama); e divulgar à comunidade as ações de promoção, prevenção e cuidados relacionados ao paciente, e as informações epidemiológicas sobre o câncer.

Como prevenir-se do Câncer de Mama
Catarina Harue informa ainda que alguns fatores ambientais aumentam a probabilidade de desenvolvimento do câncer de mama: reposição hormonal, ingestão de bebidas alcoólicas, excesso de gordura corporal, radiação ionizante em tórax e uso de tabaco. Além disso, a prática regular de atividade física e a amamentação, são formas de se proteger do câncer de mama.

“Fugir do sedentarismo reduz a gordura corporal, promove o equilíbrio dos níveis de hormônios circulantes, como a insulina e os hormônios sexuais, limita a inflamação e fortalece as defesas do corpo, diminuindo o risco de câncer de mama. Já amamentar é uma das formas da mãe proteger-se do câncer de mama, em todas as fases da vida. Quanto maior o tempo de aleitamento materno, maior o benefício”, conclui.

Movimento UMA e o câncer de mama
O Movimento UMA surgiu na esteira do Outubro Rosa. A preocupação com o câncer de mama, que mais acomete as mulheres no país – exceto os tumores de pele não melanoma – é também o que mais tira vidas: os dados mais recentes do INCA apontam que mais de 17.500 mulheres morreram em virtude do câncer de mama.

Para Regina Arns, idealizadora do Movimento UMA, é Presidente do MEX Brasil, Diretora da Lapidus Network e líder do Núcleo Curitiba do Grupo Mulheres do Brasil explica que enxergou no Outubro Rosa uma oportunidade para refletir sobre outras questões que também são urgentes para o bem-estar do público feminino, que vão além da saúde física. “O Movimento UMA vai reforçar a urgência dos temas da Mulher na agenda, como ações mais efetivas para o enfrentamento do câncer de mama”, relata.

Além de Regina Arns, Silvana Pampu, gerente de Recursos Humanos na Renault do Brasil e Ana Rojas, executiva da Volvo, são as heads do Movimento UMA, que iniciou no dia 6 de outubro e é 100% voluntário. O objetivo é compartilhar as iniciativas e ações de cada uma das organizações apoiadoras das causas da Mulher e, principalmente, dar espaço para o desenvolvimento de eventos conjuntos, com vistas a encontrar soluções concretas para essas questões.

Todos os eventos serão conduzidos por nomes locais e personalidades do cenário nacional. As iniciativas, por conta da pandemia que ainda restringe o convívio social, serão totalmente on-line, com agenda divulgada previamente nas redes sociais do Movimento UMA e no hotsite: www.movimentouma.com.br.

Programação de 13 a 15 de outubro

13 de outubro – 19h:
Tema da live: Seja PROTAGONISTA da sua vida!! VOCÊ PODE!!
Mediadoras: Mediadoras: Angela Zanlorezi (Presidente da Rede Feminina de Combate ao Câncer), Lênia Luz (fundadora do Empreendedorismo Rosa e líder do Comitê do Empreendedorismo do Grupo Mulheres do Brasil, núcleo Curitiba) e Luciana Veronese (Presidente Seção PR da Confraria Amigas do Vinho).

14 de outubro – 19h:
O câncer de mama e os direitos da paciente oncológica
Mediadoras: Gladys Haluch (fundadora e secretária da Voluntária da Amigas da Mama) e Luciana Sbrissia Bega (Secretária Geral da Caixa de Assistência dos Advogados do Paraná).

15 de outubro – 19h:
Mulheres (in)visíveis: direito de ocupar espaços públicos, privados e virtuais sem medo
Mediadoras: Claudia Trancozo (Comitê de gestão do grupo Jurídico de Saias) e Vanessa Romankiv (fundadora da Tech Ladies).