Música de estreia do Killing in a Bad Moon chega às plataformas digitais

Em 13 de novembro, a banda Killing in a Bad Moon apresenta sua primeira música, “Everlasting Earth”, que chega às plataformas digitais. O grupo tem em sua formação ex-integrantes de bandas como Resist Control, Boi Mamão e Zeitgeist Co, artistas que tiveram uma considerável projeção nos anos 90, e que estão juntos há 3 anos para criar uma sonoridade diferente de suas bandas anteriores, com um olhar no futuro.

Crédito – Divulgação.

Englobando referências em diversas vertentes do rock, o Killing in a Bad Moon é composto por Cassio Linhares (vocal), Nilo Ferreira (guitarra), Andre Massad (bateria) e Ton Zanoni (baixo).

KILLING IN A BAD MOON

Parece que os músicos de rock não param nunca. Podem ter passado por bandas renomadas, por grandes gravadoras, extensas turnês, shows internacionais e toda sorte de aventura boa ou ruim. A banda até encerra atividades, mas o músico não. Ele é persistente (alguns o chamariam de teimoso). Mesmo passando anos longe dos palcos, está sempre tocando ou envolvido em alguma atividade musical. Não há o que mude isso. Deve estar no sangue. Você já deve ter ouvido isso de algum músico. Os integrantes do Killing In a Bad Moon se encaixam nessa categoria.

Foi tudo culpa de um jornalista!
Por ocasião de uma reportagem, surgiu de forma despretensiosa o embrião do Killing In a Bad Moon. Isso aconteceu em um encontro no 92 Graus, um dos palcos mais conhecidos da música underground de Curitiba (no Paraná). Lá estavam integrantes daquelas que foram algumas das bandas mais renomadas da cidade nos anos 90, que vivenciaram importantes episódios da música do Brasil na época e contribuíram com a formação roqueira de milhares de jovens. Todos reunidos para uma foto que ilustrou uma matéria sobre os destinos de cada um daqueles grupos.

O guitarrista Nilo Ferreira e o baterista Andre Massad contrariaram a atmosfera nostálgica daquele episódio e em meio a algumas conversas, saíram de lá com a ideia de iniciar algo novo. Nilo foi guitarrista do Boi Mamão. Andre era baterista do Resist Control e puxou para o novo grupo o baixista Ton Zanoni, com quem tocou em um projeto chamado Tsunami. Estava formado o triunvirato guitarra-baixo-e-bateria do Killing in a Bad Moon.

Identidade musical lapidada com o tempo, sem pressa
Assim se passaram os três primeiros anos do grupo, se reunindo frequentemente para ensaiar e compor por mero prazer. “Foi a etapa de entender melhor as personalidades juntas e separadas. Eu segui sem pretensão nenhuma. E acho que por um bom tempo eles também”, comenta Nilo. Apesar de todos terem vivências extensas no mundo do rock, as referências de cada um eram diferentes.

Toda essa bagagem contribuiu com elementos para definir a sonoridade do Killing In a Bad Moon. “Sempre gostei de blues, reggae, jazz, samba. Claro que não dá pra trazer tudo pro som da banda, que é basicamente de rock pesado. Mas, dentro do meu instrumento e da minha ideia de composição, sempre procuro inserir batidas desses estilos, ainda que não apareça explicitamente junto à distorção do baixo e da guitarra. Sou um admirador dos ritmos e batidas dos precursores do rock como conhecemos”, relata Andre.

“Essa etapa foi muito boa na construção de uma identidade musical para a banda. Como os ensaios são espaçados por conta dos compromissos de todos, a banda demorou um certo tempo pra amadurecer o seu estilo próprio. Desde o primeiro ensaio sempre surgiram músicas, mas no começo elas carregavam vários elementos daquilo que cada um fazia antes. Posso dizer que de 2016 a 2018 nós fizemos muitas coisas diferentes e a partir de 2019 algumas dessas músicas se demonstraram mais correlatas e a banda criou seu próprio corpo, independente, e que imprime algo único nas músicas que surgem a cada ensaio”, avalia o Ton Zanini, que sempre gravou todos os ensaios e posteriormente separava os melhores momentos para repassá-los aos colegas – um processo eficiente para estruturar as músicas e gerar uma disciplina para dinamizar o processo de composição.

O momento certo para a entrada da voz
Mas eles não se contentavam e nem desejavam ser uma banda instrumental. As músicas eram compostas de modo que vocais pudessem ser inseridos em um futuro não muito distante. Afinal não tinham pressa para encontrar um vocalista. Acreditavam que a voz ideal para o Killing in a Bad Moon chegaria na hora certa. E chegou.

Cassio Linhares vinha de uma longa carreira no mundo da música, iniciada no final dos anos 80, quando já havia subido em um palco e foi aplaudido antes dos 18 anos por plateias cheias de energia em apreciar um bom show de rock autoral. Integrou algumas das primeiras bandas de metal em Curitiba, como Holy Death e Shades Before Dawn, passando por outras vertentes do rock pesado. Com o grupo Zeitgeist Co. chegou a morar na Holanda para viver do trabalho da banda.

“E eu sempre pensei nele como uma opção pro projeto”, relata Andre, que fez um primeiro contato com o cantor e marcou com os demais integrantes da banda para vê-lo ao vivo em um show de reencontro do Zeitgeist Co. Lá fizeram um convite para que ele comparecesse a um ensaio. Quando os quatro músicos se reuniram para tocar pela primeira vez, foi encontro surpreendente, mostrando que o vocalista não entrou para somar, e sim para multiplicar. “No primeiro ensaio que conseguimos nos reunir, ele já fez uma linha de vocal que ficou muito bacana, de primeira. Ali tive certeza de que era o nome certo pro som que a gente estava tirando”, recorda Andre.

“Quando o Cassio abriu o peito tirando do fundo da alma os gritos guturais dele e criando melodias que a gente jamais conseguiria criar para alguém cantar nas nossas músicas, o negócio assumiu outra proporção. Parecia que o cara sempre cantou com a gente e que as músicas não poderiam ser de outro jeito”, relata Ton Zanoni. “O cara é, além de tudo, um poeta prolífico e consegue colocar em palavras sentimentos que nós teríamos dificuldade de exprimir”, completa.

“O estilo que eles me mostraram foi nada mais do que o estilo em que eu me sinto em casa, aí é meio caminho andado”, comenta Cassio. ”Como tenho muito material ainda guardado, não bastou dois ensaios pra percebermos que a coisa fluía naturalmente”, completa o vocalista, que sempre compôs e cantou em inglês, língua mãe do rock.

Uma nova jornada
O Killing In a Bad Moon é formado por veteranos do rock, com pelo menos 20 anos de atividades cada um, além de passagens por dezenas de bandas e projetos. O que torna esta experiência mais empolgante é que os quatro músicos não se prendem a tempos remotos e trabalham para que essa união resulte em sonoridades diferentes das que já produziram em suas carreiras.

“As bandas que estão engessadas só no passado perdem um tempo precioso para a mistura de estilos, experiências pessoais relativas ao desenvolvimento pessoal. Eu misturo. Vou de uma pentatônica de blues, indo pra um vocal rasgado da música pesada e acabo num folk limpo, tudo numa música só, fora a poética, formatação de letras, e assim vai”, relata o vocalista Cassio, que já ultrapassou 30 anos na música.

Difícil definir o resultado sonoro em uma classificação estanque. As músicas flutuam por diversas vertentes do rock, sendo perceptíveis elementos do heavy metal clássico ao metal alternativo, garage rock, blues, punk, pós-punk, stoner rock, hard rock sem firulas, psicodelia e até referências menos perceptíveis, mas que fazem parte da vivência dos músicos. As ambiências sonoras proporcionam momentos ora vibrantes e furiosos, ora soturnos e hipnóticos, deixando o ouvinte livre para interpretar as sensações proporcionadas pelas músicas.

Essa diversidade de interpretações já nasce na fonte, com cada um dos integrantes apresentando impressões distintas sobre como o Killing in a Bad Moon impacta suas vidas e como pode sensibilizar as pessoas que terão a oportunidade de ouvir suas obras. “Eu gostaria que fosse algo como uma fonte de inspiração. Que as pessoas que ouvissem o som sentissem algo dentro delas que as fizessem se mover, antecipa o baixista Ton Zanoni. “Eu espero que a gente se divirta tocando esse som e consiga passar na música e por ela a sensação de estar vivo, de fazer o que se gosta, de ser agradecido pelos privilégios que cada um julgue ter” almeja o baterista Andre. “Se no Killing eu puder expressar o que eu consegui mudar em mim, para melhor, já está valendo” comenta Nilo. “O importante é fazer música com o coração. Assim, sempre terá um menino com uma guitarra na mão se baseando no conceito de fazer com nosso coração em primeiro lugar e não ter medo de colocar a cara pra bater”, assim espera o vocalista Cassio.