Mostra de Teatro Negro de Curitiba realiza primeira edição

A presença negra na cultura de Curitiba e do Paraná ganha uma grande celebração. Desta quinta-feira (23/9) até o dia 2 de outubro, a 1ª Mostra de Teatro Negro de Curitiba apresenta uma programação completamente online e gratuita, com apresentação de espetáculos teatrais e de dança, oficinas e ciclos de palestras. São dez dias de programação, reunindo importantes artistas e pensadores da cultura afro-brasileira para destacar o protagonismo negro nas artes.

Crédito – Kraw Penas.

No total, o evento traz 11 espetáculos, três oficinas, 5 palestras e 5 Giras (mesas de discussão inspiradas na tradição afro-brasileira). Todo o conteúdo estará disponível na internet, no canal da Companhia Nossa Senhora do Teatro Contemporâneo: https://www.youtube.com/channel/UClN1D9pkiaSDxbzWoSrfl_A

A programação inicia na quinta-feira (23/9), às 19h, com o painel “Protagonismo Negro”. Coordenado pelo ator, diretor e produtor Isidoro Diniz e pelo produtor Jewan Antunes, terá a participação aberta a todos interessados no evento.

A partir da sexta-feira, iniciam as apresentações de espetáculos e palestras (veja programação abaixo).

Dois eventos requerem inscrição prévia. O link para inscrições da “Oficina de Dramaturgia Negra”, com Jé Oliveira, é: https://forms.gle/toDmDyG1HowtaSR96. Ela será ministrada entre 27 de setembro e 1º de outubro.

Já o link para inscrições da oficina de dança, “Oficina ENRAÍZE: Corpo e Memória entre An’Dancas”, com Leonardo Cruz, está disponível no link: https://forms.gle/TxZ5gLLAbhnTvBUt7. Esta oficina acontece no dia 2 de outubro.

Crédito – Divulgação.

Nesta edição de estreia, a Mostra presta uma feminagem para a atriz curitibana Odelair Rodrigues, um dos maiores talentos do rádio, teatro e televisão do Paraná. Odelair foi uma das pioneiras da TV paranaense e conquistou 12 prêmios de melhor atriz, entre eles, o Troféu Gralha Azul 2000 – Menção Honrosa pelo seu pioneirismo e obra. Nascida em 14 de julho de 1935, ela faleceu em 1º de julho de 2003. O termo “feminagem” vem sendo difundido como uma adaptação feminina da palavra homenagem, adaptado para expressar respeito e admiração às mulheres.

Este projeto é realizado com recursos do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura – Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura Municipal de Curitiba.

Protagonismo negro: um tema presente

“Nossa proposta é dar visibilidade para contribuição cultural dos negros no Paraná, que ainda é pouco destacada, apesar de sua importância histórica”, conta o idealizador do projeto, Isidoro Diniz. “A proposta é ser um elo entre o passado, o presente e o futuro do protagonismo negro na cultura do estado. Quase não existem estudos sobre isso e a divulgação do tema ainda é tímida, mas vamos mostrar que muitos artistas afro-brasileiros contribuiriam, contribuem e continuaram contribuindo para nossa formação cultural”.

Crédito – Isabelle Neri.

Segundo Diniz, o tema do protagonismo negro é uma pauta atual e que precisa ganhar mais destaque. “Apesar de toda uma história de lutas e grandes conquista, ainda não temos sequer o respeito merecido por tudo que fizemos pelo país. Sempre é importante lembrar que, se não fossem os negros, não existiria Brasil”, sintetiza o artista, que recentemente completou 40 anos de carreira.

Programação da primeira semana do evento:

Quinta-feira (23/9), às 19h, o evento inicia com o painel “Protagonismo Negro”. Coordenado por Isidoro Diniz e Jewan Antunes, será um espaço aberto para todos os participantes da Mostra.

Sexta-feira (24/9), às 19h, palestra com Salloma Salomão, dramaturgo e pesquisador da cultura afro-brasileira e teatro negro brasileiro. Tema: Teatro negro no Brasil.

Crédito – Olivia D´Agnoluzzo.

Sexta-feira (24/9), às 20h30, será exibida a peça “Solo dos Mares e a Revolta dos Meninos Homens de uma Nação Suspensa”, dirigida por Katia Drumond e Isidoro Diniz. Essa nova produção marca a primeira parceria entre Isidoro Diniz e Salloma Salomão, que é dramaturgo, pesquisador da cultura afro-brasileira e teatro negro brasileiro. Os dois, junto com a professora doutora Ione Jovino, criaram a dramaturgia do espetáculo. A peça também marca a estreia do ator mineiro Pedro Ramires, que deu vida de maneira extraordinária ao personagem.

Sábado (25/9), às 15h, haverá a apresentação do espetáculo “Duula, A Mulher do Deserto”. Concebido pela Companhia Karagozwk, a peça continua o trabalho de pesquisa desenvolvido pelo grupo por meio da busca de uma dramaturgia baseada na oralidade e na ancestralidade, adaptando obras literárias de contos africanos. Criado por Rogério Andrade Barbosa, o espetáculo conta a história de Duula, a mulher do deserto que tinha sido uma moça muito bonita quando jovem. Narra sua trajetória desde quando ainda morava na tenda dos pais, nos tempos que uma longa seca assolou a região em que viviam, matando os animais e as pessoas de sede.

Sábado (25/9), às 19h, acontece palestra com o ator, dramaturgo e diretor Jé Oliveira, que falará sobre Dramaturgia Negra. Esse encontro também será mediado pelo gestor cultural Cleber Borges.

Sábado (25/9), às 20h30, será apresentado o espetáculo “Billie”. Escrito e dirigido por Alexandre França e encenado pela atriz Cassia Damasceno. Ano passado, ela recebeu dois prêmios de melhor atriz em festivais brasileiros de cinema – Festival Cine PE e Festival Audiovisual Comunicurtas UEPB. O espetáculo tem como ponto de partida a vida e a arte da cantora Billie Holiday. Utilizando várias camadas de memória, como as biografias, o ambiente da época e a impressão que o público hoje tem deste ícone da música americana, “Billie” é um convite à reflexão acerca do caráter movediço que a essência artística e a fama possuem com o passar dos dias.

Domingo (26/9), às 15h, há a Oficina de Confecção de Bonecas Abayomi, com a atriz Geisa Costa. A oficina mostra as etapas de construção da boneca negra feita a partir de retalhos trançados, enrolados e amarrados. Natural de Londrina, Geisa Costa está desde 1993 em Curitiba, local que desenvolveu uma longa carreira nos palcos como atriz, produtora e contadora de histórias.

Domingo (26/9), às 19h, dando sequência ao Ciclo de Palestras, a professora Clemilda Santiago Neto, da Secretaria Estadual da Educação do Paraná, com mediação de Isidoro Diniz, discorrerá sobre o tema “Escravismo Colonial no Brasil: Um Novo Olhar”.

Crédito – Kraw Penas.

Domingo (26/9), às 20h30, é realizada a apresentação do espetáculo “Negro, Não Nego”, da Companhia Cena Hum. O espetáculo aborda com palavras, canto, dança e desenhos de corpo, questões como a resistência, humanidade e força dos negros na sociedade do passado e do presente.

Serviço: 1ª Mostra de Teatro Negro de Curitiba

Datas: de 23 de setembro a 2 de outubro de 2021.
Evento online gratuito
Transmissão: no YouTube da Cia Nossa do Teatro Contemporâneo – www.youtube.com/channel/UClN1D9pkiaSDxbzWoSrfl_A
Informações: www.linktr.ee/teatronegrocwb