Espaço Cultural BRDE – Palacete dos Leões abre a exposição Narrativas e Poéticas do Mate

O Espaço Cultural BRDE – Palacete dos Leões abriu ao público, a partir do dia 27 de outubro, a exposição Narrativas e Poéticas do Mate. A exposição integra as ações do programa Circuito Ampliado – Acervos em Circulação, cooperação desenvolvida com o Museu Paranaense com o objetivo de amplificar as percepções sobre o patrimônio ervateiro a partir da perspectiva histórica, antropológica, artística e cultural.

Medlha Exposição Internacional da Filadélfia, 1876. Crédito – Divulgação.

A exposição está inserida no contexto de representação simbólica e territorial do espaço, que é a antiga residência de Maria Clara Abreu de Leão e Agostinho Ermelino de Leão Jr., empresários da erva-mate e fundadores da icônica marca de chá Matte Leão. Lá, é possível visitar um conjunto de objetos provenientes de acervos institucionais e coleções particulares, além de obras que amplificam a visualidade ervateira.

Crédito – Marcelo Almeida.

“A exposição integra um programa de circulação de acervos que estruturamos em conjunto com o Museu Paranaense, instituição que mantém um expressivo acervo ervateiro, e articulou uma equipe interdisciplinar. O programa viabilizou uma pluralidade de ações, entre elas uma mostra de câmara que faz uma homenagem aos 160 anos do artista Alfredo Andersen, além de uma sala botânica, com exsicatas de erva-mate provenientes do acervo do Museu Botânico de Curitiba”, contextualiza Rafaela Tasca, coordenadora do Espaço Cultural BRDE – Palacete dos Leões.

Pluralidade e ancestralidade

A exposição é dividida em eixos temáticos ambientados ao longo das salas do Palacete. Um deles foi intitulado de “Trânsitos Culturais” apresentando rótulos e medalhas concedidas às comissões paranaenses em feiras internacionais e industriais, entre elas a icônica Exposição Internacional da Filadélfia de 1876, que contou com a presença do imperador brasileiro Dom Pedro II. Londres, Filadélfia, Rio de Janeiro, Turim e Bruxelas foram alguns dos destinos da erva-mate paranaense.

Medalha Exposição Internacional de Turin, 1911. Crédito – Divulgação.

Nesta sala, também são apresentados rótulos ervateiros do acervo do MUPA. “Esses rótulos foram peças que, apesar de sua existência efêmera, foram fundamentais na construção de um imaginário ervateiro. O surgimento da indústria litográfica e a utilização dessa nova técnica, menos artesanal, garantia volume e novos recursos visuais, com formas e cores modernas”, contextualiza Cecília Bergamo, pesquisadora da equipe de curadoria da mostra.

A sala botânica apresenta duas exsicatas de Ilex paraguariensis coletadas pelo professor Gerdt Hatschbach provenientes do acervo do Museu Botânico de Curitiba, além de um exemplar do livro do naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire traduzido por David Carneiro e uma obra sonora com memórias ervateiras. “Essa sala faz uma ponte com a exposição “Eu Memória, Eu Floresta: História Oculta” em cartaz no Museu Paranaense a qual reverbera a ancestralidade desta planta nativa e coloca em perspectiva a ampliação da noção de patrimônio ervateiro”, complementa Rafaela Tasca.

Andersen e a erva-mate
Com texto do crítico de arte Adolfo Montejo Navas, a exposição apresenta uma mostra de câmara com paisagens e cenas de gênero realizadas pelo pintor Alfredo Andersen. “A coincidência dos tempos das coisas, 200 anos do conhecimento científico da erva-mate e 160 do nascimento do pintor, são duas efemérides convergentes em destaque recíproco, mas não por acaso do calendário como pela contiguidade histórica que compartilham juntos, como revela a representação ligada à cultura da erva-mate, a sua iconografia e simbologia, na qual o artista participou.”, escreve Navas em seu texto “Alfredo Andersen e a erva-mate (convergência e vice-versa)”.

Crédito – Marcelo Almeida.

“Nos alegra ver o legado de Alfredo Andersen ganhando presença em exposições que enaltecem a cultura e as raízes do estado do Paraná, algo que lhe era muito caro e que retratou de forma tão singular. Parabenizamos o BRDE e à equipe do Espaço Cultural BRDE – Palacete dos Leões por esta exposição que destaca a importância da erva-mate”, comenta Wilson Andersen Ballão, bisneto do pintor e também presidente da Sociedade Amigos de Alfredo Andersen.

Arte contemporânea
Para compor a programação, a sala da torre do Palacete recebe o site-specific “Verde é o Verde” da artista Eliane Prolik “um verde que se cheira, que se materializa no ar”, como descreve o curador Adolfo Montejo Navas.

Também há uma sala dedicada à leitura contemporânea da obra de Andersen com um conjunto de trabalhos das artistas Eliane Prolik e Larissa Schip com releituras das obras de Andersen, entre elas “Vista Geral de Curitiba”, de 1904, e “Sapeco da erva-mate” de 1905. O ambiente será um dos palcos para as atividades da Semana Andersen de 2021.

Eliane Prolik – Verde é o Verde. Crédito – Divulgação.

Os trabalhos instalados das salas contemporâneas ficarão em cartaz até 26 de novembro de 2021 e podem ser visitados por meio de agendamento no site www.brde.com.br/palacete.

Serviço:

– Exposição “Narrativas e Poéticas do Mate”
Programa Circuito Ampliado – Acervos em Circulação / Em parceria com o Museu Paranaense
A partir de 27 de outubro de 2021

– Andersen e a Erva-Mate
Em parceria com a Sociedade Amigos de Alfredo Andersen
Sala 2
Em cartaz até 26 de novembro de 2021.

– Verde é o Verde
Instalação da artista Eliane Prolik com curadoria de Adolfo Montejo Navas.
Sala da Torre
Em cartaz até 26 de novembro de 2021.

Horário de visitação: de terça a sexta (14h às 17h), somente mediante agendamento: www.brde.com.br/palacete.

Av. João Gualberto, 570 – Alto da Glória – Curitiba/PR
Entrada gratuita