Minimalismo, forma e rigor refletem sobre conservadorismo em Coreo/Grafia estudo#1, de Michelle Moura

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“Coreo/Grafia estudo#1”, que será apresentado nos dias 19 e 20 de novembro no MuMA e nos dias 26 e 27 de novembro ao lado do MON, traz dois estudos minimalistas em que o passo é a unidade de medida e a virtuose está na precisão, rigor e memória espacial dos bailarinos.

“Esse momento social me gerou interesse em trabalhar sobre comandos de movimento, ou seja, escrita para um coro, como uma forma de refletir sobre quem coreografa o quê em nosso mundo? Como os grupos são ordenados? Através de quais dispositivos? Por isso a escolha do título Coreo/Grafia, isto é Coreo, ou coro, e Grafia, ou escrita”, diz Michelle Moura, autora de Big Bang Boom, considerado um dos melhores espetáculos de dança de 2012 pelo Jornal O Globo, e de FOLE, um dos “melhores espetáculos de dança de 2013”, segundo a Folha de São Paulo.

Diferentemente de seus trabalhos anteriores – como FOLE, apresentado na Mostra do mais recente Festival de Curitiba -, em que estava mais focada no potencial plástico do corpo e da mente, em “Coreo/Grafia estudo#1”, ela está mais interessada em investigar os processos e os agentes que desenham as relações sociais.

“Essa posição hierárquica entre coreógrafo que cria e bailarinos que executam já foi muito questionada no contexto da dança contemporânea e são múltiplas as relações atuais. Porém estou me perguntando qual é a coreografia ou quem é o coreógrafo do mundo neste momento? Afinal de contas existe algoz e vítima nessa história ou estamos todos comprometidos com o momento?”, pergunta Michelle Moura. “Coreo/Grafia estudo#1” tem música especialmente criada pelo jovem compositor que vive em Berlin, Kaj Duncan David, que trabalha com música eletrônica experimental e performances multimídia. No elenco estão presentes os 4 bailarinos: Bia Figueiredo, Bernardo Stumpf, Cândida Monte e Thaisa Marques.

Locais de apresentação

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“Coreo/Grafia estudo#1” dá visibilidade ao poder arquitetural da coreografia, através da forma e da geometria. Assim, os lugares escolhidos para que as apresentações aconteçam são diferentes entre si, um é um espaço aberto, o vão entre as secretarias do estado, e outro é o MUMA, no Portão Cultural. Um espaço é aberto e público, e outro fechado, uma sala de exposições, porém ambos lugares de Curitiba apresentam característica de arquitetura modernista, onde estrutura, forma e material são importantes, sem elementos decorativos.

“Coreo/Grafia estudo#1”
Onde: MuMA – Sala de exposição 1. Quando: dia 19 de novembro (19h e 20h30) e 20 de novembro (16h e 17h30). Preço: gratuito.
Onde: vão das Secretarias de Estado, ao lado do Museu Oscar Niemeyer. Quando: 26 e 27 de novembro (16h e 17h30, ambos os dias). Preço: gratuito