De Curitiba a Black Mirror, Butcher Billy faz sucesso mundial com ilustrações

Foram 15 anos trabalhando como diretor de arte e de criação no mercado corporativo, e o sentimento que passava na sua cabeça era de como seria se seguisse aquilo que realmente dava prazer. Ser artista no Brasil não é fácil, e esse era o seu maior receio antes de mergulhar definitivamente no mundo da arte.Frustrado com o dia a dia no Brasil, em 2009 Butcher jogou tudo pro alto e se mudou para a efervescente e multicultural Londres. Foram cinco anos de experiências inspiradoras na capital inglesa, e acredita que tudo que absorveu nesse tempo tenha contribuído na criação desse seu estilo artístico pessoal.

De volta ao país e ao trabalho em uma agência digital, paralelamente ele começou com as criações artísticas para a internet. Mas tudo na base da brincadeira e experimentação, apenas como uma válvula de escape para o cotidiano do trabalho corporativo. A intenção era ter um terreno livre para desenvolver ideias mais alternativas, que com certeza não teriam espaço no dia a dia de escritório. Cinema, quadrinhos, música, games, séries de TV, celebridades, literatura, política, religião – tudo poderia entrar nesse liquidificador de ideias, em que ficção e realidade se misturavam e o passado se chocava com o presente para criar algo novo.

E assim, em 2012, as coisas começaram a mudar. As imagens que ele vinha produzindo começaram a circular pela internet no mundo inteiro. David Bowie, Batman, Super Mario, Quentin Tarantino, Stephen King, Laranja Mecânica, Amy Winehouse, Pac-Man… e o que mais chamava a atenção de quem via era o seu nome, Butcher Billy. Segundo ele, o pseudônimo surgiu como uma forma de separar essas experimentações artísticas do trabalho normal. Nas horas vagas, Billy se tornava Butcher Billy – palavra inglesa para açougueiro – exatamente pelo que decidiu fazer com a arte: cortar pedaços de cultura pop e misturar, de uma maneira única e diferente do que os outros artistas faziam.
E assim passaram a vir convites para participar de exposições de arte pelo mundo: Miami, San Francisco, Lisboa, Dubai, Londres, Chicago, Paris, etc. Artigos e entrevistas para jornais como o The Guardian britânico, sites como o da MTV, Rolling Stone, Elle, Vanity Fair, Wired, etc. E com isso propostas para se envolver em projetos para marcas internacionais como a ESPN, Michael Jordan, Penguin Books, NME Magazine, Foot Locker, NBA, Billboard e a rede de hipermercados francesa E.Leclerc, entre outras. Para coroar a repercussão, um convite para lançar um livro de quase 200 páginas com toda sua obra, publicado na França em 2015.

E assim Bily Mariano viu aquele seu projeto artístico paralelo desbancar sua carreira como diretor de criação, e resolveu se assumir de vez como Butcher Billy.

Já consolidado, em 2016 ele teve a ideia de retratar os episódios da série Black Mirror, da Netflix, como histórias em quadrinhos da década de 70. Através do twitter, o criador e roteirista da série na Inglaterra, Charlie Brooker, viu o que ele tinha feito, gostou e entrou em contato. Butcher foi convidado para participar da 4a temporada da série, onde teve algumas das suas ilustrações incluídas nos episódios. Além disso, Brooker o convidou para ter sua arte impressa em capas de discos de vinil com as trilhas sonoras dos episódios. Produtos esses que a Netflix lançou em 2017, além de convocar o artista a imprimir seu estilo pessoal na criação de materiais também para a série Stranger Things, como camisetas, embalagens, etc.

Butcher se consolidou como artista tanto na América do Norte quanto na Europa. Hoje ele busca mais visibilidade no Brasil, já que seus trabalhos ainda são pouco conhecidos aqui. Para esse ano, têm alguns projetos bem distintos: a capa de um livro para a legendária editora britânica Penguin Books; o projeto gráfico do disco de vinil comemorativo dos 40 anos do filme Despertar dos Mortos, de 1978; capas para os quadrinhos da clássica personagem Barbarella, uma exposição de arte solo em uma galeria de Chicago, e o lançamento de seu segundo livro na França, só de ilustrações, que traz um apanhado de todo o trabalho que ele desenvolveu ao longo dos anos.