Oficinas no Instituto Paranaense dos Cegos avançam criação do espetáculo “Ópera das Cores”, com estreia prevista para 2027
Vivências sensoriais com elementos da natureza consolidam etapa prática do projeto e reforçam protagonismo de pessoas com deficiência visual

Crédito: Diego Cagnato
Curitiba, maio de 2026 – Após uma primeira visita técnica marcada pela escuta, observação e troca de experiências, o projeto Ópera das Cores, da Montenegro Produções, avançou mais uma etapa fundamental de seu processo criativo com a realização de oficinas na última semana, entre os dias 28, 29 e 30 de abril, no Instituto Paranaense dos Cegos (IPC), em Curitiba (PR). As atividades reuniram participantes com deficiência visual em uma imersão artística baseada nos quatro elementos da natureza, terra, água, ar e fogo, que servirão de base para a construção do espetáculo, com estreia prevista para 2027.
As oficinas funcionaram como um laboratório sensorial e criativo, no qual os participantes experimentaram diferentes formas de expressão a partir do toque, da temperatura, do movimento e da transformação dos materiais. Todo o conteúdo captado — em imagem, som e performance — será utilizado posteriormente na criação audiovisual e na composição musical do espetáculo, consolidando um processo que nasce da vivência real dos participantes.
Na oficina Terra, a proposta foi explorar texturas e formas por meio da argila. Em uma grande superfície, os participantes criaram relevos com as mãos, marcaram objetos, desenharam figuras e construíram coletivamente imagens que eram constantemente transformadas. A dinâmica priorizou a experimentação contínua, com registros visuais pensados para posterior edição artística.
Já na oficina Água, o trabalho envolveu pintura e sensações térmicas. Utilizando tintas diluídas e puras em diferentes temperaturas — fria, ambiente e aquecida — os participantes criaram desenhos com as mãos e borrifadores sobre superfícies impermeáveis. A atividade estimulou não apenas a criação visual, mas também a percepção sensorial das variações de temperatura e textura.
A oficina Ar trouxe o corpo como elemento central. Em um ambiente com fundo croma e diversos objetos — como ventiladores, bexigas, fitas e cata-ventos — os participantes exploraram movimentos espontâneos, danças e interações com o vento. As cenas foram captadas com diferentes recursos audiovisuais, como câmera lenta e time lapse, ampliando as possibilidades narrativas do espetáculo.
Fechando o ciclo, a oficina Fogo apresentou um dos momentos mais simbólicos do processo. Os participantes desenharam com leite sobre papel e, após a secagem, as imagens foram reveladas com calor, por meio de chama ou aquecimento da superfície. O instante da revelação foi registrado em vídeo, evidenciando a transformação invisível em imagem — conceito que dialoga diretamente com a proposta do projeto.
Para a participante Vera Cristina dos Santos, de 55 anos, a experiência foi marcante. “Achei fantástico participar das oficinas, porque uma das atividades que nunca tinha feito foi o desenho. E também a argila e com o iogurte… achei maravilhoso. Eles me ensinaram como formar as coisas, como fazer. Para mim, foi algo fantástico. Foi muito bom”, relata.
A vivência também impactou quem acompanha o projeto como patrocinador. “É muito importante apoiar um projeto como esse, ainda mais dentro do Instituto Paranaense dos Cegos. A gente vê de perto a realidade, a forma como eles percebem o mundo através do toque, do som, das sensações. É muito gratificante fazer parte disso e ver que tudo isso vai se transformar em um espetáculo”, afirma Danielle Matoso, Controller e representante do Grupo Interalli, um dos patrocinadores do projeto.
Do ponto de vista da captação, o projeto também reforça seu potencial de impacto social. “Apoiar projetos culturais por meio das leis de incentivo vai muito além de um benefício fiscal. É transformar um recurso em algo que gera oportunidade, inclusão e desenvolvimento. As empresas passam a fazer parte de uma transformação real na sociedade”, destaca Pedro Henrique Pereira, da Valor com Propósito, responsável pela captação de recursos.
Segundo Carolina Montenegro, coordenadora do projeto, essa fase prática consolida o propósito da iniciativa. “As oficinas são o coração da Ópera das Cores. É aqui que a arte nasce de forma genuína, a partir da experiência sensorial e da expressão de cada participante. Nosso papel é traduzir essas vivências em linguagem artística, respeitando e potencializando o protagonismo deles em todo o processo”, completa.
Sobre o projeto
A Ópera das Cores é um projeto da Montenegro Produções que transforma percepções sensoriais de pessoas com deficiência visual em um espetáculo imersivo que une música, arte visual e performance. A partir de um processo de criação coletiva, os participantes contribuem diretamente para a construção das obras, promovendo inclusão, acesso à cultura e protagonismo. Mais do que um espetáculo, a iniciativa propõe uma nova forma de sentir e experienciar a arte.
O projeto está aprovado na Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), permitindo que empresas tributadas pelo lucro real destinem até 4% do imposto devido ao patrocínio, enquanto pessoas físicas podem contribuir com até 6%. O apoio é fundamental para ampliar o alcance e garantir a continuidade da iniciativa. Empresas e interessados podem obter mais informações pelo site www.montenegroproducoes.com ou pelo e-mail montenegroproducoes@montenegroproducoes.com.
